domingo, 7 de dezembro de 2014

Domingo

"Domingo é sempre assim e quem não está acostumado
 é dia de descanso, nem precisava tanto
 é dia de descanso, programa Silvio Santos"

Bem, esse meu domingo, ao contrário da música dos Titãs, foi bem produtivo. Foi um domingo ontem deixei todas as mazelas espirituais de lado e foi sim, beber como gente grande. Nadei da piscina que nem cabia todo mundo, mas foi felicidade de sobra. Carne a vontade.

Nunca descrevi a amizade. Um sentimento tão bonito que nem precisa. Mas hoje, com poucos amigos, uns em maior grau que outros, vi que só precisava daquilo as vezes. De esquecer do resto do mundo e das brigas desnecessárias que venho arrumando pro meu coração. Do compromisso apressado, do descompromisso comigo mesmo. Do chiste interior. Uma das falas que eu não esqueço foi a do sábio Odair (a barba é de pajé, sempre desconfiei) foi sobre "oia, se eu tivesse isso aqui todo dia, acho que nem precisava mais viver correndo atrás do nada"
Se sossego fosse rotina, realmente nem precisávamos ter nascido. Como o Amarante falou em entrevista sobre "se não houver tristeza, pra que alegria?". Os dois lados da moeda são complementares. Devemos sentir sim aquela aguda tristeza da madrugada fria e solitária (nossa que drama!) pra depois sentir a névoa baixando e o sol brilhando. Somos on/off mesmo.
De todo coração, não queria que esse domingo com os amigos acabasse. Amanha volta a realidade (hoje já). Como se o carnaval de alegria acabasse e o Pierrot tivesse que vestir novamente sua roupa de executivo e ir lutar no escuro da vida capitalista. A volta da balada do homem comum.
Bem, é isso, a felicidade foi servida, com a amizade e muito riso de tira-gosto e sobremesa. Amém!

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Phoenix

"Renascer é como voltar a viver depois de um tempo morto"
Essa frase, a qual não tenho a mínima ideia de onde surgiu, me fez refletir sobre alguns acontecimentos. Algumas coisas que claramente eu sabia que não iam vingar: outras eu estou me surpreendendo, estão indo pro lado certo. Verdade, eu entendo a coisa na medida da limitação do ser errante. Mas acho que no sentido visionário literal, vou o expandindo a cada mazela vital minha.
Eu estava observando meus alunos jogando bola na terça. Pareciam felizes, imortais. A dúvida era se o Pingueira iria jogar no time do Chulinha ou no do Edivaldo. E o Emerson, pequeno, mas gigante em algumas questões. Me perguntou o porque de estar observando com tanto empenho aquilo que para ele era mais que trivial. E o Geovane, que com sua sabedoria, me perguntou se a minha cara era de tristeza ou de fome. Acho que os dois, naquele momento. Estamos no fim do ano e eu me despedindo não podia deixar de notar o quão eu me aproximei desses guris. Os do Matutino também, com as histórias de vida intrigantes, dos namoricos que eles e elas comentavam. Da visceral juventude alada. Então resolvi apreciar aqueles momentos eternos enquanto eu me criticava e me chateava por ter sido tão mortal. Tão precipitado. Mas não vi saída, arrisquei e paguei o preço. Nem foi tão caro, mas me encheu o inventário. Estou rico de decepções e pobre de percepções antecipadas.
Claro, se a vida é realmente uma roda, eu girei e to numa corda meio que menor que o raio. Em português: Tô me retraindo, fugindo das pessoas, das brigas, dos novos descobrimentos. Tô, mais uma vez, fora da jogada, o jogo acabou tão rápido que eu preferi nem reclamar. Não me entreguei ao chilique, só ao balanço. Agora eu realmente volto ao lugar de onde vim, da solidão áspera e figurativa. Mas tão física que me retira 10 bons anos da minha face. Nem tenho mais face, sou um retrato maltratado. Um farrapo humano, vivendo de expectativas esmigalhadas. Toco numa banda, estou sendo reconhecido. Mas não alucina nem me satisfaz. Vou atrás do inesperado com passagem só de ida. Quero nem pensar nesses últimos meses, onde imperou a cegueira total sobre algo que nunca eu deveria saber nem viver. Dúvida em chamar quem compor a linha. Linha do Equador e dos trópicos do meu novo mundo. Quem vai me delimitar? Quem? Eu? Imagina. O duo não aparece simultaneamente. Esse que vos fala é um, daqui a pouco o outro volta.
Paciência, coração de merda. Eu falei que tu só ajuda a quem atrapalha. Filantropismo e altruísmo que me separam da lógica inteligente e me colocam no patamar do zero esquerdista. Do zero vim, do zero voltei. Pro zero vou.

Phoenix, renascida da lama, à chama retorna.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Represa

Eu uma vez ouvi falar que o que sentimos é como uma represa. Sempre jorrando e se abastecendo na medida certa. Mas uma certa vez, uma ruptura pequena se fez na represa. Até ai tudo bem, a matemática não nos engana: a vazão era menor que o enchimento. Mas ai foi se fazendo rupturas e mais rupturas até que essa equação mudou. O que deveria ser jorrado aos poucos foi-se. E não dava mais pra abastecer. Ai ficou apenas a represa.
Essa fábula parece grotesca no ponto de vista adulto. Pessoas irão me falar asneiras ou pior, não irão falar nada. Mas é exatamente o que eu penso sobre os sentimentos. Se criarmos rupturas por menor que sejam, elas vão rachando a estrutura e uma hora ou outra, na mesma hora em que a velocidade do avião é tão grande que tem-se duas opções: voar ou bater! Nesta hora a represa vai secar.
Falando em avião, aprendi eternidades sobre a vida de artista, com o grande Maurício Pereira em entrevista com o Paulinho Moska. Acho que o que ele falou tem todo sentido: fazer a arte (no caso, música) pro homem comum. Como se fosse um diálogo não um monólogo. Um chop no bar e uma conversa despreocupada falando sobre a vida. As palavras nem sempre alcançam o que queríamos dizer. Então tudo ao redor pode se encarregar disso...

Texto ficou pequeno então por não ter nada a dizer.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Harmonium

"Tudo o que eu pensei
E nunca falei
As coisas que eu fiz
E nunca mostrei
E como eu agi
Quando ninguém viu
Ninguém vai saber
Ninguém vai saber
O que não deu certo
Por sorte ou azar
Ninguém reparou"

Logo quando eu escutei essa música do O Terno, consegui prestar atenção nessa letra. Tudo o que cabia nela de mim. Lembro-me de meses atrás eu ter postado algo sobre as pessoas não prestarem atenção no que eu faço. Bobagem. Vi que isso é uma dádiva (dos ninjas kkkk).  Nós sempre temos que se convencer de que só precisamos fazer algo se for em prol do reconhecimento. E como aquele ditado "se não serve pra ninguém, não serve pra mim". Ou seja, se ninguém ler isso aqui agora que eu estou escrevendo de que adianta eu escrever? Pois ora, o que eu sou e o que eu escrevo não precisam ser evidenciados. Eu só preciso de poucos para entenderem. Difícil é encontrá-los. Tenho medo do medo, receio do remoroso (vice e versa em ambos). Eu adoro parafrasear a maioria das coisas que eu escrevo. Isso é ruim? Talvez. Para alguns será a velha concha de retalhos. Para mim será algo novo, pois a expressão nunca se repete. Pode se aproximar, nunca igualar. Então não me preocupo com a esperança dos subsídios de meus amigos, parentes. Eu só quero desafogar todo o rio que fica represado dentro de mim. Jorrando em notas no violão ou em letras turvas aqui nesse sitio. Ninguém, eu digo, ninguém vai saber o que não deu certo. Eu escolhi esconder e me esconder de tudo isso. Dos debates acalorados, das rodas de conversas. Eu me isolei e paguei o preço da solidão. Agora quero o meu troco. Mas ninguém parece entender. Aí a vontade é de realmente voltar para o ninho, ficar la até os últimos dias. Minha tristeza eu não consigo entender (sou um alegre-deprê). 
É meus amigos, acho que não vai fazer sentido algum esse texto para muitos daqueles que lerão. Outros me chamarão de patético, de hipotético. Eu sou. Sou tão engraçado que muitas das vezes não rio de mim por respeito. Porque as pessoas já o fazem melhor que eu. É isso: fazer o melhor. Muita das vezes que tentei acabei errando. E voltando pro quarto escuro. E nessa transfiguração alguns me chamaram de imbecil, de criança. É como eu me sinto quando não tenho aquilo que planejei. Me sinto acuado num canto escuro da sala esperando a primeira lapada da minha mãe primeira: a vida. Ela bate realmente com força, e ainda pergunta se tá doendo. Eu nem apanhei suficiente e já to pensando em fugir. Fugir e apanhar mais, essa é a sina
Nem sei porque entrei nisso hoje, mas a Harmonium foi decisiva. Me fez ouvi aquela voz do "e se desse?" Se não deu, paciência. Se der tempo concerto. Mas não der, beleza, a vida ainda tá com o cinto, doida pra dar umas palmadas. Ai de quem for malcriado, aí...

Quem sabe se eu
Tentasse guardar
Tudo o que eu ouvi
Ouvi ou senti
Aquilo que nem
Se eu explicar

"Keep Change"

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

O Roteirista

Sabe, ultimamente venho me perguntando se eu seria o culpado de tudo que está acontecendo na minha vida. De bom e de ruim. Como se a vida fosse realmente um longa metragem sempre em processo de gravação. E de uma hora pra outra se torna um curta. Se a vida é um filme temos que no mínimo sermos nossos roteiristas. Será?
Em meio a tantos pensamentos soltos, veio aquele que não me parece tão otimista: o que a vida reserva pra mim? E o que eu reservo pra ela? Não é uma bicondicionalidade mas sim algo que não se conecta. O roteirista de nós mesmos não nos contou como seria desse instante pra frente. Do momento em que decidimos ficar, ou partir. Naquele momento em que tudo parece cinza e do nada clareia. Não nos contou dos intemperismos, dos desencontros. Então não podemos nos preocupar com o que a vida nos reserva, porque acho que nem o próprio roteirista sabe. Alguns o chamam de Destino, tecendo sua teia que nem os deuses do Olimpo podem interferir. Há quem diga que pode mudar esse tal. Pode até ser, mas não o mudamos e sim o adaptamos. Acho que há uma gigantesca diferença nesses dois processos. Pois então, o script já está dado? Algo a se pensar, porquanto a toda hora estamos improvisando em cenas e desviando o curso do rio. Pegamos papéis principais e as vezes nos sentimos coadjuvantes de nós mesmo. Comparecemos as reuniões dos que não tem nada a acrescentar a nós, a não ser nós cegos. A vida é um filme de terror, com romance, com comédia. Trágica, mitológica, espacial. Especial. A dádiva da inocência do Roteirista ao ver que nada do que ele propôs foi cumprido. Revolta com o diretor, que fala que teve que cortar gastos, demitir alguns personagens, mandar alguns pra outros filmes, trocar o cenário. E nos conta que fez isso apenas para deixar o filme com mais emoção, com mais humanidade.
Parece que eu não reconheço bem a diferença entre o Roteirista e o diretor. Dois lados da mesma moeda, dois gumes da mesma espada. Melhor ficar, as vezes como contra regra e sair só observando ou câmera, que filma tudo. Só que não participa e nem tem seus nomes nos créditos. Sendo importantes mesmo assim, nunca estrearam. Sejamos pelo menos figurantes, mas que apareçamos na foto, na lembrança. E se possível ache um papel pra você, ache também alguém que no roteiro aceite participar do seu filme e deixar você participar do dele. Deixe que o vilão encarrega de aparecer, que talvez seja você esse vilão. E então nunca subestime o mocinho

"To fora, se esse é o caminho, se a vida é um filme, eu não conheço o diretor..."

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Sexta-feira Amor

Foi mágico, foi lindo. Eu nem tenho palavras pra descrever o que senti quando subi pela primeira vez num palco fora dos meus domínios. Público maravilhoso, acalorado. Maceió é isso.
E abrir o show do cara que norteou nosso trabalho...Nem preciso falar mais nada!

Você não me vê (Que saco eu não consigo entender...)

"Sou invisível aos olhos dela, não é possível!". Olha que não foi apenas indiretas, foram escancaradamente umas palavras (ou a combinação morfossintática perfeita) pra dizer que to apaixonado por ela. E ela acha que eu sou bobo, que tenho que ficar ouvindo coisas e não fazer planos. Eu decidi fazer um: vou partir desse lugar. Talvez ela sinta a minha falta por simples obrigação da ausência. Ou por algo a mais, por ter medo de não poder falar da sua vida e ser escutada, por exemplo. Por não ter mais aquele bom dia efervescente. E não ter mais aquele boa noite, ou se cuida, ou dorme bem. Vou mesmo partir, acho que a vida não pode mais me maltratar assim, ficar pela metade com alguém. Nem pela metade, mas num intervalo 1/n com n indo pro infinito. To tendendo a zero. Não consigo fazer nada além de pensar no momento em que você vai deixar algum recado. Que vai me zuar por qualquer besteira que eu fizer. Ou vai me dizer que está frio. Não posso mais ficar, tenho que ir e rever meus princípios, andar sozinho pra ver se gosto mais de mim do que de você. Você vem contando das dores do amor passado, e como diz a canção do Cazuza isso acaba comigo. Nessa novela não quero ser só seu amigo. Nem vou ser, não tem como mais voltar atrás. EU nunca escrevi coisas sobre o amor, sobre estar enamorado ou paixão. Sempre fiz isso superficialmente. Acho que ser piegas demais. 
Queria finalizar com um sinal de fumaça, só pra ver se você me vê. Sei não sou bonito nem tenho todo o potencial do macho alfa ocidental capitalista. Mas tenho um coração bom. Adoraria dividi-lo com você. Não só pra contar casos, mas pra criar os nossos próprios. No pacote também vem uma meia dúzia de mimos. E de carências também. Sei que a oferta é recusável portanto, releve. Se não for o caso, não tem problema. Arrumo as malas e parto, parto e parto-me (Anitelli sabe o que faz e diz). Parei com a metáfora do de Schrödinger. Você conhece os riscos e as possibilidades. Mas não quero ser chato, apenas estou morrendo. E como diria o poeta Igor de Carvalho, a mentira é o suicídio da alma. Por favor me ajude!
Agradecido
Eu!