sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Harmonium

"Tudo o que eu pensei
E nunca falei
As coisas que eu fiz
E nunca mostrei
E como eu agi
Quando ninguém viu
Ninguém vai saber
Ninguém vai saber
O que não deu certo
Por sorte ou azar
Ninguém reparou"

Logo quando eu escutei essa música do O Terno, consegui prestar atenção nessa letra. Tudo o que cabia nela de mim. Lembro-me de meses atrás eu ter postado algo sobre as pessoas não prestarem atenção no que eu faço. Bobagem. Vi que isso é uma dádiva (dos ninjas kkkk).  Nós sempre temos que se convencer de que só precisamos fazer algo se for em prol do reconhecimento. E como aquele ditado "se não serve pra ninguém, não serve pra mim". Ou seja, se ninguém ler isso aqui agora que eu estou escrevendo de que adianta eu escrever? Pois ora, o que eu sou e o que eu escrevo não precisam ser evidenciados. Eu só preciso de poucos para entenderem. Difícil é encontrá-los. Tenho medo do medo, receio do remoroso (vice e versa em ambos). Eu adoro parafrasear a maioria das coisas que eu escrevo. Isso é ruim? Talvez. Para alguns será a velha concha de retalhos. Para mim será algo novo, pois a expressão nunca se repete. Pode se aproximar, nunca igualar. Então não me preocupo com a esperança dos subsídios de meus amigos, parentes. Eu só quero desafogar todo o rio que fica represado dentro de mim. Jorrando em notas no violão ou em letras turvas aqui nesse sitio. Ninguém, eu digo, ninguém vai saber o que não deu certo. Eu escolhi esconder e me esconder de tudo isso. Dos debates acalorados, das rodas de conversas. Eu me isolei e paguei o preço da solidão. Agora quero o meu troco. Mas ninguém parece entender. Aí a vontade é de realmente voltar para o ninho, ficar la até os últimos dias. Minha tristeza eu não consigo entender (sou um alegre-deprê). 
É meus amigos, acho que não vai fazer sentido algum esse texto para muitos daqueles que lerão. Outros me chamarão de patético, de hipotético. Eu sou. Sou tão engraçado que muitas das vezes não rio de mim por respeito. Porque as pessoas já o fazem melhor que eu. É isso: fazer o melhor. Muita das vezes que tentei acabei errando. E voltando pro quarto escuro. E nessa transfiguração alguns me chamaram de imbecil, de criança. É como eu me sinto quando não tenho aquilo que planejei. Me sinto acuado num canto escuro da sala esperando a primeira lapada da minha mãe primeira: a vida. Ela bate realmente com força, e ainda pergunta se tá doendo. Eu nem apanhei suficiente e já to pensando em fugir. Fugir e apanhar mais, essa é a sina
Nem sei porque entrei nisso hoje, mas a Harmonium foi decisiva. Me fez ouvi aquela voz do "e se desse?" Se não deu, paciência. Se der tempo concerto. Mas não der, beleza, a vida ainda tá com o cinto, doida pra dar umas palmadas. Ai de quem for malcriado, aí...

Quem sabe se eu
Tentasse guardar
Tudo o que eu ouvi
Ouvi ou senti
Aquilo que nem
Se eu explicar

"Keep Change"

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

O Roteirista

Sabe, ultimamente venho me perguntando se eu seria o culpado de tudo que está acontecendo na minha vida. De bom e de ruim. Como se a vida fosse realmente um longa metragem sempre em processo de gravação. E de uma hora pra outra se torna um curta. Se a vida é um filme temos que no mínimo sermos nossos roteiristas. Será?
Em meio a tantos pensamentos soltos, veio aquele que não me parece tão otimista: o que a vida reserva pra mim? E o que eu reservo pra ela? Não é uma bicondicionalidade mas sim algo que não se conecta. O roteirista de nós mesmos não nos contou como seria desse instante pra frente. Do momento em que decidimos ficar, ou partir. Naquele momento em que tudo parece cinza e do nada clareia. Não nos contou dos intemperismos, dos desencontros. Então não podemos nos preocupar com o que a vida nos reserva, porque acho que nem o próprio roteirista sabe. Alguns o chamam de Destino, tecendo sua teia que nem os deuses do Olimpo podem interferir. Há quem diga que pode mudar esse tal. Pode até ser, mas não o mudamos e sim o adaptamos. Acho que há uma gigantesca diferença nesses dois processos. Pois então, o script já está dado? Algo a se pensar, porquanto a toda hora estamos improvisando em cenas e desviando o curso do rio. Pegamos papéis principais e as vezes nos sentimos coadjuvantes de nós mesmo. Comparecemos as reuniões dos que não tem nada a acrescentar a nós, a não ser nós cegos. A vida é um filme de terror, com romance, com comédia. Trágica, mitológica, espacial. Especial. A dádiva da inocência do Roteirista ao ver que nada do que ele propôs foi cumprido. Revolta com o diretor, que fala que teve que cortar gastos, demitir alguns personagens, mandar alguns pra outros filmes, trocar o cenário. E nos conta que fez isso apenas para deixar o filme com mais emoção, com mais humanidade.
Parece que eu não reconheço bem a diferença entre o Roteirista e o diretor. Dois lados da mesma moeda, dois gumes da mesma espada. Melhor ficar, as vezes como contra regra e sair só observando ou câmera, que filma tudo. Só que não participa e nem tem seus nomes nos créditos. Sendo importantes mesmo assim, nunca estrearam. Sejamos pelo menos figurantes, mas que apareçamos na foto, na lembrança. E se possível ache um papel pra você, ache também alguém que no roteiro aceite participar do seu filme e deixar você participar do dele. Deixe que o vilão encarrega de aparecer, que talvez seja você esse vilão. E então nunca subestime o mocinho

"To fora, se esse é o caminho, se a vida é um filme, eu não conheço o diretor..."

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Sexta-feira Amor

Foi mágico, foi lindo. Eu nem tenho palavras pra descrever o que senti quando subi pela primeira vez num palco fora dos meus domínios. Público maravilhoso, acalorado. Maceió é isso.
E abrir o show do cara que norteou nosso trabalho...Nem preciso falar mais nada!

Você não me vê (Que saco eu não consigo entender...)

"Sou invisível aos olhos dela, não é possível!". Olha que não foi apenas indiretas, foram escancaradamente umas palavras (ou a combinação morfossintática perfeita) pra dizer que to apaixonado por ela. E ela acha que eu sou bobo, que tenho que ficar ouvindo coisas e não fazer planos. Eu decidi fazer um: vou partir desse lugar. Talvez ela sinta a minha falta por simples obrigação da ausência. Ou por algo a mais, por ter medo de não poder falar da sua vida e ser escutada, por exemplo. Por não ter mais aquele bom dia efervescente. E não ter mais aquele boa noite, ou se cuida, ou dorme bem. Vou mesmo partir, acho que a vida não pode mais me maltratar assim, ficar pela metade com alguém. Nem pela metade, mas num intervalo 1/n com n indo pro infinito. To tendendo a zero. Não consigo fazer nada além de pensar no momento em que você vai deixar algum recado. Que vai me zuar por qualquer besteira que eu fizer. Ou vai me dizer que está frio. Não posso mais ficar, tenho que ir e rever meus princípios, andar sozinho pra ver se gosto mais de mim do que de você. Você vem contando das dores do amor passado, e como diz a canção do Cazuza isso acaba comigo. Nessa novela não quero ser só seu amigo. Nem vou ser, não tem como mais voltar atrás. EU nunca escrevi coisas sobre o amor, sobre estar enamorado ou paixão. Sempre fiz isso superficialmente. Acho que ser piegas demais. 
Queria finalizar com um sinal de fumaça, só pra ver se você me vê. Sei não sou bonito nem tenho todo o potencial do macho alfa ocidental capitalista. Mas tenho um coração bom. Adoraria dividi-lo com você. Não só pra contar casos, mas pra criar os nossos próprios. No pacote também vem uma meia dúzia de mimos. E de carências também. Sei que a oferta é recusável portanto, releve. Se não for o caso, não tem problema. Arrumo as malas e parto, parto e parto-me (Anitelli sabe o que faz e diz). Parei com a metáfora do de Schrödinger. Você conhece os riscos e as possibilidades. Mas não quero ser chato, apenas estou morrendo. E como diria o poeta Igor de Carvalho, a mentira é o suicídio da alma. Por favor me ajude!
Agradecido
Eu!

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Nenhum comentário (I Can't me myself)[Ai quem mi mai selfi]

Hoje o dia começou mais cedo. Levantei e fui fazer o que sempre faço nas quintas mais enjoadas que eu já nos últimos dez anos. Sou repetição igual a metralhadora. Sempre fazia algo diferente e hoje estou preso a rotina do trabalho cansativo. Será?
Ao escrever umas poucas palavras aqui nesse espaço que me foi concedido, vem uma questão que é super indefinida: será que não recebo críticas nem construtivas nem destrutivas porque ninguém lê o que eu escrevo? Esse lamento foi de um post passado, nem vou remoer. Mas o que eu acho interessante nesse mesmo cancho é a percepção daquilo que se faz e daquilo que se almeja. Essa ponte muita das vezes é coberta de névoa.
A minha intenção era que todos a qual eu compartilhassem essas palavras sinceras me dessem sugestões do que está correto e do que falta melhorar. Assim poderia fazer isso aqui para os outros. Mas ultimamente venho percebendo essa falta de compreensão. Na dúvida, sempre achei que era melhor optar pelo improviso. Agora vejo que na dúvida apelo pro desprezo. Fica mais igualitário a maquina.
E esses dias algumas mesmas (rsrsrsrs) pessoas vieram me criticar sobre o que eu sou. O que eu deveria colocar nas minhas redes sociais. No meu modo de pensar e agir. Sim sou muito estrambelhado e muita das vezes erro feio. Mas mudar é foda, temos que ter um motivo pra querer mudar realmente. Tirar nossa impressão para que sejamos algo que não somos.
Veio na memória a música de uma banda brasileira chamada Splippleman que se intitula Me Myself (eu mesmo). A música fala exatamente isso: Seremos algo que nós mesmos não podemos ser. Pelo fato de que a felicidade própria não existe. Existe sim! Então eu refleti: Não posso mais ser eu mesmo? Daí eu conclui que a pessoa não sabe que está fazendo o mal, por que ela quer a antítese já que isso é bom pra ela. Então resolvi apenas postar o necessário.
Bem acho que minha cota de pensamentos alados acabou de acabar ( e foi embora)


Nobody needs a million friendsNinguém precisa de um milhão de amigos
Only one isApenas um é
Enough to give a helping handO suficiente para dar uma mão amiga
And sing you a songE cantar-lhe uma canção
Make it so... loudTorná-lo tão ... alto









sexta-feira, 29 de agosto de 2014

"Dormir, pra quê? tanta coisa pra fazer..."

Eu nem ia escrever hoje. Estou doente, a garganta parece que tem 2 kg de terra dentro arranhando tudo. Mas decidi escrever para medir um tanto quanto acho que esses textos tem de importância. Quando falo de importância, falo em todas as pessoas (possíveis) que irão ler o que escrevo. Na verdade iria optar por relevância, mas relevar não minha opinião é algo mais sutil. Quero iniciar do mais bruto. Então surgem naturalmente algumas perguntas bobas sobre "quem irá ler esse texto?" ou "será que as pessoas iram se IMPORTAR?"
Ainda to no jogo da "dúvida é o preço da pureza". Mantendo essa pureza, sigo escrevendo. As vezes crio meta-estrofes de pilantra como o Apanhador Só, outras vezes só apanho mesmo. É a dureza da significância pairando no ar.
Nós precisamos sempre doar algo. Nem que seja um conhecimento exótico, um manual budista. Mas não podemos deixar de trocar essas coisas com os demais. Não me considero como um escritor de manuais ou de auto-ajuda. Sou comum, apenas escrevo o que vejo ao meu redor. Se sonho as vezes, perdoe-me: é o espírito jovem! Escrevo em tom e caligrafia sincera. Não quero alcançar modas, personificações do "nossa como ele é bom, por que não escreve um livro?" Ta aí outra coisa que eu não tenho certeza se quero. Livros são tão pragmáticos com seus começos, meios e fins. E nenhum deles se justificam.
É isso. Não ia dormir tão cedo sem colocar essas coisas no papel moderno. Sem lirismo algum. O ostracismo me espera logo em seguida. Mesmo com pessoas, me sinto só. Acho que andar demais com a solidão me fez parte dela.

Obs: Título do texto foi retirado da canção "Nesse instante só" do Graveola e o Lixo Polifônico....

sábado, 19 de julho de 2014

Sobre Rubem e o Lixo lógico

Que data chata. Dia 20 de Julho. To escrevendo aqui nesse blog já tem um bom tempo. E realmente tempo é uma pertubação do equilíbrio do nosso ser-estar (nem sei de onde tirei isso). Pois bem. Rubem partiu. Estava doente e sabemos o quão é doloroso a partida de que realmente veio pra mudar. Pra ele, a morte era algo trivial, assim como o talento. Acabei de ler um texto seu sobre saúde mental e tinha certeza que havia escrito algo parecido (mas nem de perto talentoso) com aquele texto. Pensar realmente é difícil...e perigoso. E depois também lembrei do texto que falei sobre a morte e sua libertação. Acho que tudo se encaixa no fim. E as perguntas são realmente inúteis, quem as responderá? Se tudo tem fim, prefiro acreditar no aqui. Meio revoltadinho, não iria fazer o papel de "Geração Coca-cola" numa póstuma homenagem a quem os ipês serão eternamente gratos.
Alves. De um dos filhos de Abraão, das doze tribos. Rubem. Falência múltipla dos órgãos mas resistência moto contínua da alma. Da poesia. Dos ipês. As cinzas serão lançadas e ficaram encrustadas na nossa mente.
Enganchando esse texto, assisti um documentário sobre o tropicalismo. Como diria o Tom Zé, um lixo lógico demais. Mas quando vi que o Gil conseguiu misturar Sgt. Peppers com Banda de pífano de Recife achei que valeria dar uma olhada. E quando ouvi as primeiras canções acho que realmente me culpei por não ter tido a mínima curiosidade de ouvir essa lindeza. E de como as canções eram fortemente "maquiadas" para não serem barradas na peneira dos milicos. A real beleza mora aí: esconder aquilo que se quer dizer para não dizer realmente o que é. Confuso? Sim, a beleza também reside num pouco de confusão filosófica das coisas. E no córtex cerebral ou célebre. Dos desencaixes de palavras gêmeas (virei Millôr).
Então retomo o ponto de partida com Rubem e as loucuras da saúde mental. Ler jornal nunca foi meu esporte, prefiro algo mais sarcástico como livros de teoria dos conjuntos, do Halmos mais especificamente. Ou uma revistinha do Superman. Enfim, algo que alimente e realmente me sirva. Nada de especular autores renomados, a graça da coisa é ser a coisa.

E um lixo lógico amontoado no pairar do pensar, trouxa!