Hoje, quando acordei me pareceu tudo na trivialidade de sempre. Quando abuso do termo, é que esses dias vem sendo tão repetitivos quanto as horas que os contém. Pois bem, de surpresa fui pego nessa manhã. Passei pelos feeds da rede social azul e vi que um site noticiava algo que eu pensava ser impossível naquela altura. A partida do velho Abujamra. Aquele que sempre fazia das provocações suas provocações.
Meu contato mais profundo com o Abu começou em meados do fim do ano passado. Tá, sempre que eu podia, assistia um ou outro programa. Mais conhecia mais o André, o Abu filho, pelo trabalho no Os Mulheres Negras a qual o grande Maurício Pereira também integra. Comecei a ver alguns programas na internet e achei curioso o que ele sempre perguntava no fim de cada programa: o que é a vida?
Uma das perguntas mais difíceis que nós seres humanos temos em "mente". Podemos defini-la cientificamente, filosoficamente, mas sempre nos preocupamos em saber se realmente isso aqui não é uma brincadeira de mal gosto de algum deus fanfarrão. Ou é simplesmente a coisa mais bonita que existe exclusivamente no nosso planeta em nosso sistema. A vida, pode ser entendida também como a união de processos temporais, espaciais. De processos químicos e físicos. Celulares. Quânticos. Minimizamos até onde não podemos mais enxergar a olho nu e daí estipulamos e estipulamos. Nunca chegamos a velha resposta da velha pergunta desse bruxo.
Um cara que viveu e respirou a arte. Encheu o meu pulmão e de muitos outros de alegria excitação quando declamava algo em suas provocações. Essa palavra fala bem do que a pergunta que ele fazia se trata. Provocar. Fazer com que nós nos situássemos em nosso endereço cósmico. Na nossa casa. No nosso planeta. O que é isso tão raro? Da onde vem isso?
São tantas perguntas que acho que o que realmente provoca não é o tipo, mas sim a própria pergunta em si. Em querer desvendar, achar o desconhecido que nos ronda no espaço-tempo e é em algo tão bonito e magnânimo que é a vida que esse mistério só começa. Que talvez o Abu nem tenha tido a resposta, mas que ele nunca fugiu da pergunta. Isso já é entender de fato o que é viver: não fugir!
"É preciso ter a dor de sentir que a vida não tem roteiro."
Antônio Abujamra
1933-2015
terça-feira, 28 de abril de 2015
terça-feira, 14 de abril de 2015
Fora no final de semana
Como é engraçado o tempo.
Eu queria ter escutado o Neil Young antes, lá no ensino médio quando o Marcão, baixista da Macaco Sabiá me dizia que eu deveria ouvir mais essas paradas. Eu tava muito na vibe Los Hermanos para mudar o foco pro Folk (cacofônico). As vezes flertava com o som dos Pampas com o Gessinger, mas expecionalmente respirava o eixo Amarante-Camelo. E só.
Mas hoje eu acordei com aquela vontade de realmente ouvir com atenção o Velho homem. Coloquei um show dele na BBC de Londres, datada de 1971, a qual já tinha assistido em outros momentos. Bem eu empaquei de novo na primeira música. Out on the weekend (fora no final de semana) me fez pensar, a julgar pelo título, que seria algo sobre farra de um final de semana maluco com os amigos. Que nada. Era exatamente o que eu precisava ouvir de novo. Algo como os primeiros versos dizem sobre sair, se mudar e tentar recomeçar de novo. Eu aparento estar num eterno recomeço. Mas é assim mesmo: sempre somos saudosistas de algum lugar antigo. E como se não bastasse, fazemos parte de uma roda, destas irlandesas mesmo, que giram e giram. Não sabemos onde vamos parar.
Pois bem, o refrão me soou bem peculiar. Acho que não era pra ser outra hora, mesmo achando que o determinístico é coisa pra quem acredita em cartilha pra se aprender a viver:
Veja o rapaz solitário,
Saindo pro fim de semana
Tentando fazer valer a pena
Não se identifica com a alegria,
Ele tenta falar e
E não consegue começar a dizer
Isso sou eu, saindo com os amigos, amigos de amigos. Sem ser notívago, apenas durante as noites, as madrugadas eu deixo pro sono mesmo. E realmente não me identifico com a alegria. Não consigo ser alegre todo tempo. Fico tentando fazer valer a pena. A culpa não é dos acompanhantes, nem dos locais, que não inspiram nada além de celebrar o momento. Apenas não estou pronto pra me desfazer da minha tristeza aparentemente sem motivo, sem sentido ou direção. Não! Não quero dizer que não procuro minha felicidade; apenas não sou desses que procura em um litro de álcool ou uma tragada a felicidade e toda a explosão vital. Sou mais ser triste
E por onde andava aquele menino que um dia sonhou que era possível mudar tudo ao seu redor ?
Esse continua por aí, as vezes sai no final de semana, nunca se adaptando ao meio. Como o tempo é engraçado a ponto de querer que esse menino hoje seja um homem bem sucedido (o que defino pelo termo capitalista). Enfim, tô fora no final de semana, guys.
O passo do passado
Nunca gostei de começar os textos com esses títulos estilo trovas e prosas, rumos e prumos (kkkkkk). Na verdade eu nem ia escrever hoje, já faz um bom tempo que eu não tenho paciência nem tempo (mentira, tenho os dois, de sobra inclusive). Nesse momento tá rolando Money do Pink Floyd, acho que o Waters e o Gilmour vem sendo pauta das minhas discussões com os meus amigos roqueiros ou não. Simples o fato dessa banda me encantar pela densidade de suas faixas, pelas letras. Pelo progressivo, que é um som legal de se ouvir. Mas não vou falar sobre música e sim sobre algo que eu não imaginaria ver novamente tão cedo (ou nunca).
Bem, em meados de 2004, eu ainda andava na igreja evangélica a qual meus pais frequentam. Eu (adivinhem?) era músico. Tocava violino, tava iniciando ainda. Já falei que não ia falar de música e parou...bem, eu nunca fui um garoto bonito ( e provavelmente não vou ser). De certo me encantava em algumas ocasiões com algumas pecinhas (a la Dalvan, hein!). Aquele amorzinho de puberdade: a menina olha pra você e imediatamente você imagina uma cena de filme americano, com vocês dois passeando de mãos dadas no parque, jogando comida para os pombos (não faça isso, eles são uma organização criminosa alada), andando de bicicleta e etc. Mas ela sempre vai gostar do carinha mais descolado, que é mais velho. Daí você fica triste, acha que a vida acabou. A galera vai jogar bola no massal e tudo acaba em gols, dribles e amigos.
Porém, tinha uma menina. Ela era linda. Loirinha, cabelo castanho, sorriso lindo. Nossa, ela era uma das mais bonitas da igreja, eu ficava besta olhando pra ela. E aí, nessa hora, você desse lado imagina que não vai ter nada entre eu e ela, nem fudendo. Verdade. Pelo menos pra ela. Pra mim, ia acontecer. Num domingo nada ensolarado (na verdade nem sei o clima naquele dia, eu tava pensando em comer o lanche no final do ensaio musical) eis que estou do lado de fora da igreja e quem estava olhando pra mim com o olhar compenetrante de quem vai te engolir? Acertou mais uma vez. A menina, a linda loirinha que eu sonhava. Até aí tudo bem. ela não deu entender nada. só ficou olhando pra mim umas meia hora, sei lá (deve ter sido "que bixo é esse?"). Enfim, fui pra casa e esqueci. Mas na segunda, uma colega minha que era amiga dessa loirinha falou que ela tava afim de mim. Cascalho, eu havia fisgado logo o maior peixe. Disse que no domingo queria me ver.
A ilusão se alimentou a semana toda. Eu fiquei imaginando de novo as bobagens dos filmes americanos estrelados por algum John ou Robert. E o domingo chegou, mas ela não foi pra igreja. Acabou que minha colega disse que ela já tava com outro. Pancada na cara, nocaute do chão de giz do Zé Ramalho mais uma vez. Fiquei abalado, perdi o episódio do Goku fase 3, mas superei.
O que eu pretendia ao escrever essa novelinha? Pois é, nos achados e perdidos do facebook, achei a tal garota, a qual não havia visto jaz dez anos. Ele continua linda, não sei (e nem quero saber, os tempos são outros, amis ) sobre seu estado civil. Só salientei porque acho que o passado veio à tona e eu deveria o expor. Não entendi se o passo do passado é a corrida do futuro. Ou é o presente que me presenteou. De fato, fiquei nostálgico e notívago, duas palavras fodas pra se usar num texto. Que me couberam bem. Espero que não a veja mais, não quero que ela pense que eu (ainda) sou aquele menino bocó. Bocó é tão supimpa pra terminar o texto quanto supimpa. Ela que viva a vida dela, linda loirinha do sorriso lindo. Eu, vou divagando aqui com meus caracteres, minhas notas errôneas e meus acordes pra vida. Voilá, temos um vencedor!
Bem, em meados de 2004, eu ainda andava na igreja evangélica a qual meus pais frequentam. Eu (adivinhem?) era músico. Tocava violino, tava iniciando ainda. Já falei que não ia falar de música e parou...bem, eu nunca fui um garoto bonito ( e provavelmente não vou ser). De certo me encantava em algumas ocasiões com algumas pecinhas (a la Dalvan, hein!). Aquele amorzinho de puberdade: a menina olha pra você e imediatamente você imagina uma cena de filme americano, com vocês dois passeando de mãos dadas no parque, jogando comida para os pombos (não faça isso, eles são uma organização criminosa alada), andando de bicicleta e etc. Mas ela sempre vai gostar do carinha mais descolado, que é mais velho. Daí você fica triste, acha que a vida acabou. A galera vai jogar bola no massal e tudo acaba em gols, dribles e amigos.
Porém, tinha uma menina. Ela era linda. Loirinha, cabelo castanho, sorriso lindo. Nossa, ela era uma das mais bonitas da igreja, eu ficava besta olhando pra ela. E aí, nessa hora, você desse lado imagina que não vai ter nada entre eu e ela, nem fudendo. Verdade. Pelo menos pra ela. Pra mim, ia acontecer. Num domingo nada ensolarado (na verdade nem sei o clima naquele dia, eu tava pensando em comer o lanche no final do ensaio musical) eis que estou do lado de fora da igreja e quem estava olhando pra mim com o olhar compenetrante de quem vai te engolir? Acertou mais uma vez. A menina, a linda loirinha que eu sonhava. Até aí tudo bem. ela não deu entender nada. só ficou olhando pra mim umas meia hora, sei lá (deve ter sido "que bixo é esse?"). Enfim, fui pra casa e esqueci. Mas na segunda, uma colega minha que era amiga dessa loirinha falou que ela tava afim de mim. Cascalho, eu havia fisgado logo o maior peixe. Disse que no domingo queria me ver.
A ilusão se alimentou a semana toda. Eu fiquei imaginando de novo as bobagens dos filmes americanos estrelados por algum John ou Robert. E o domingo chegou, mas ela não foi pra igreja. Acabou que minha colega disse que ela já tava com outro. Pancada na cara, nocaute do chão de giz do Zé Ramalho mais uma vez. Fiquei abalado, perdi o episódio do Goku fase 3, mas superei.
O que eu pretendia ao escrever essa novelinha? Pois é, nos achados e perdidos do facebook, achei a tal garota, a qual não havia visto jaz dez anos. Ele continua linda, não sei (e nem quero saber, os tempos são outros, amis ) sobre seu estado civil. Só salientei porque acho que o passado veio à tona e eu deveria o expor. Não entendi se o passo do passado é a corrida do futuro. Ou é o presente que me presenteou. De fato, fiquei nostálgico e notívago, duas palavras fodas pra se usar num texto. Que me couberam bem. Espero que não a veja mais, não quero que ela pense que eu (ainda) sou aquele menino bocó. Bocó é tão supimpa pra terminar o texto quanto supimpa. Ela que viva a vida dela, linda loirinha do sorriso lindo. Eu, vou divagando aqui com meus caracteres, minhas notas errôneas e meus acordes pra vida. Voilá, temos um vencedor!
segunda-feira, 16 de março de 2015
Conhecimento AU/Lto
Hoje foi um dia bom. O inicio dele foi como os demais. Mas o fim dele ta sendo diferente. Não sei porque, mas acho que encontrei combustível novo pra continuar (mesmo assim ta caro). Semana passada, o Flávio me mostrou algo sobre um curso a qual ele estava fazendo. No momento eu vi, curti a ideia. Achei que não iria me surpreender, típico de ceticismo que venho tendo nos últimos meses. Mas quando o curso começou, nesta segunda feira dia 16, acho que vislumbrei o que andava procurando. Temas do nosso cotidiano, uma mistura de ciência, religião, filosofia e arte. Gnosis, eis a palavra. Do grego conhecimento superior. Bem, o mais legal é ter em mente que somos mente (adoro a língua portuguesa), corpo e também podemos ser em outros planos. Nossa, o que aconteceu hoje foi que eu me esbaldei de conhecimento, de alto e auto conhecimento. Devemos nos relacionar com nós mesmos. Nos conhecer. Assim teremos de fato plena consciência.
Au revoir, enfants!
Au revoir, enfants!
terça-feira, 17 de fevereiro de 2015
Mais ou menos
Já são mais de uma da manhã e eu escrevendo bobagens aqui. Nem é nada sobre os acontecimentos carnavalescos que atormentam os estáticos de plantão. Nem é sobre filme . Na verdade nem sei sobre o que escrever, mas vamos ao que interessa.
Bem, a começar que consegui fazer duas ou três canções esses últimos dias. Fazia tempo que não conseguia juntar a letra e a tal de melodia. Optei pela simplicidade em umas e em outras não consegui, tive que ser incisivo na inteligência Bossa-Nova ou mais ou menos isso. Acho que o que despertou essa inspiração repentina foram duas coisas que são pontuáveis, diga-se de passagem. A primeira delas foi ter lido um texto do excepcional Luís Capucho, no seu blog. Algo sobre a inspiração musical como fonte que não esgota e não avisa quando vai jorrar água. Aquilo me intrigou. No final, ele simplesmente pede pra que ela nunca seque (eu também, por ele e por nós que inventamos de fazer essas coisas). Outra foi ter assistido uns vídeos de entrevistas com o Maurício Pereira. A música desse cara me comove: é algo de simples meio que complexado, por ter algumas jogadinhas que me coçam a cabeça. Vi o clipe da música Fugitivos e prestei mais atenção na letra do que no vídeo, mesmo o Abu filho sendo genial em sua editoração.
Foi aí que lembrei da canção do Phil Veras que se intitula Papo Banal. A frase que deixa claro essa conectividade com o processo é "perco meu tempo fazendo música". Brilhante, uma música que fale sobre fazer música. Bem espelho infinito. Como o ator que atua como ator que atua como ator. Nossa, isso vai longe. Sacadas geniais a parte, fiquei bem inquieto com essas interrogações que me apareceram.
Percebi que a coisa é bem como dizem: deixa maturar e aí de repente a coisa saí. Ou fica lá. Quem vai saber. As vezes pode estar pronta e a gente quer ainda teimar dizendo que falta. Ou as vezes falta e nós nem ligamos pra isso. A graça do risco está aí. Assim como a desgraça do poder não sair legal. O importante é que seu duo trabalhe nisso, que você sinta que aquilo é sincero e que você nem precisa mais jogar algum acorde dissonante. Ou uma frase do tipo "fui a França mas francamente não tinha frangos frios" (risos). Seja mais coração e menos métrica. Mais ou menos como dois lados da moeda falsa do trapaceiro, que nos deu a arte de inventar história cantada. Voilá, temos uma canção? Só quem faz, ou a quem fez, dirá.
Bem, a começar que consegui fazer duas ou três canções esses últimos dias. Fazia tempo que não conseguia juntar a letra e a tal de melodia. Optei pela simplicidade em umas e em outras não consegui, tive que ser incisivo na inteligência Bossa-Nova ou mais ou menos isso. Acho que o que despertou essa inspiração repentina foram duas coisas que são pontuáveis, diga-se de passagem. A primeira delas foi ter lido um texto do excepcional Luís Capucho, no seu blog. Algo sobre a inspiração musical como fonte que não esgota e não avisa quando vai jorrar água. Aquilo me intrigou. No final, ele simplesmente pede pra que ela nunca seque (eu também, por ele e por nós que inventamos de fazer essas coisas). Outra foi ter assistido uns vídeos de entrevistas com o Maurício Pereira. A música desse cara me comove: é algo de simples meio que complexado, por ter algumas jogadinhas que me coçam a cabeça. Vi o clipe da música Fugitivos e prestei mais atenção na letra do que no vídeo, mesmo o Abu filho sendo genial em sua editoração.
Foi aí que lembrei da canção do Phil Veras que se intitula Papo Banal. A frase que deixa claro essa conectividade com o processo é "perco meu tempo fazendo música". Brilhante, uma música que fale sobre fazer música. Bem espelho infinito. Como o ator que atua como ator que atua como ator. Nossa, isso vai longe. Sacadas geniais a parte, fiquei bem inquieto com essas interrogações que me apareceram.
Percebi que a coisa é bem como dizem: deixa maturar e aí de repente a coisa saí. Ou fica lá. Quem vai saber. As vezes pode estar pronta e a gente quer ainda teimar dizendo que falta. Ou as vezes falta e nós nem ligamos pra isso. A graça do risco está aí. Assim como a desgraça do poder não sair legal. O importante é que seu duo trabalhe nisso, que você sinta que aquilo é sincero e que você nem precisa mais jogar algum acorde dissonante. Ou uma frase do tipo "fui a França mas francamente não tinha frangos frios" (risos). Seja mais coração e menos métrica. Mais ou menos como dois lados da moeda falsa do trapaceiro, que nos deu a arte de inventar história cantada. Voilá, temos uma canção? Só quem faz, ou a quem fez, dirá.
sábado, 24 de janeiro de 2015
A virtude inesperada da ignorância
E então acho que de fato esse é o primeiro texto desse ano. Já começa com uma frase de efeito bem hollywoodiana (na verdade é). Essa frase se originou de um filme que assisti essa semana, intitulado "Birdman" ou "A virtude inesperada da ignorância". O filme tem Michael Keaton como protagonista. Bem se vocês lembrarem direitinho, voltaremos lá nos anos 90 e veremos um certo homem-morcego em "Batman Returns". Além do inigualável Beetlejuice em "Os fantasmas se divertem" e tantos outros papéis. Na verdade, o que eu quero pontuar é que nunca esperaria de quem fez (ao meu ver) um Batman mais ou menos chegar a fazer um papel tão pesado e dramático como o Keaton fez. E daí sai o nome por trás do Homem-pássaro. Homem-humano, que nesse filme dá duro pra tentar ser um ator reconhecido após anos de biunívoca correspondência com o herói. Fico me perguntando se esse não foi um papel proposital para o Keaton, que nos últimos anos ficou a margem desse Batman e do Beetlejuice. Acho que o papel foi como uma luva pra ele: do marasmo e do "esperava mais" nasceu uma indicação ao Oscar. Bizarro né?
Realmente me pergunto: passamos a vida toda perseguindo aquilo que já somos, ou fomos? Ou apenas precisamos de acreditar mais um épsilon em nós e por um centímetro de vergonha na cara ao tentar ser melhor naquilo que fazemos. Estamos condenados ao fadistismo (não o de Portugal e de Carminho) e ao contemporâneo desejo de ficar na inércia em casa enquanto o legal acontece. Isso me faz lembrar de algumas cenas do filme em que o Birdman conversa com Keaton mostrando a ele o que realmente as pessoas esperam dele. O que realmente as pessoas esperavam dele, digamos. Ele foi ousado (não vou dar Spoilers aqui não) e mostrou realmente o que todos queriam ver. E daí? Será que precisamos ser um Keaton e ficar à sombra de algum bem feito para podermos despertar e correr atrás do que realmente é nosso? Do que realmente somos?
De novo, volto ao ostracismo de ficar resguardado de tudo isso. É como se o seu quarto fosse seu "mondé"e que você é o rei, que não precisa ser questionado. Aí aparece um Keaton e te serve de exemplo. Pra você começar a valorizar mais o que você faz. O que você realmente faz sem querer troca alguma. Bem, Birdman foi uma lição daquelas que o cara precisa no começo do ano pra quem sabe no final se satisfazer de algo produtivo e relevante que fez. Críticas, assim como no filme, aparecem pra destruir sua moral. Não entendam esse texto como auto ajuda. Não, ele não vai te ajudar em nada. Quem vos escreve é tão Keaton quanto o próprio Keaton, sem nenhum Birdman do lado, okay?
Então nobres leitores sejamos mais Birdman. Sejamos ousados e não tenhamos medo do inesperado. Inesperado pode ser a virtude dessa ignorância suprema que nos assola esses dias. De um beijo de boa noite ao "olá, como vai?" de quem te fez feliz e hoje é menos importante que uma pedra.
(Vamos parar de usar o Keaton como adjetivo para inapto e indeciso)
Espero que vocês que leem esses textos, se prontifiquem a assistir essa bela obra de Alejandro González Iñárritu que me inspirou a escrever essas bobagens para 2015. A virtude inesperada da ignorância, é o que eu mais espero de mim e de todos. Saravá!
Realmente me pergunto: passamos a vida toda perseguindo aquilo que já somos, ou fomos? Ou apenas precisamos de acreditar mais um épsilon em nós e por um centímetro de vergonha na cara ao tentar ser melhor naquilo que fazemos. Estamos condenados ao fadistismo (não o de Portugal e de Carminho) e ao contemporâneo desejo de ficar na inércia em casa enquanto o legal acontece. Isso me faz lembrar de algumas cenas do filme em que o Birdman conversa com Keaton mostrando a ele o que realmente as pessoas esperam dele. O que realmente as pessoas esperavam dele, digamos. Ele foi ousado (não vou dar Spoilers aqui não) e mostrou realmente o que todos queriam ver. E daí? Será que precisamos ser um Keaton e ficar à sombra de algum bem feito para podermos despertar e correr atrás do que realmente é nosso? Do que realmente somos?
De novo, volto ao ostracismo de ficar resguardado de tudo isso. É como se o seu quarto fosse seu "mondé"e que você é o rei, que não precisa ser questionado. Aí aparece um Keaton e te serve de exemplo. Pra você começar a valorizar mais o que você faz. O que você realmente faz sem querer troca alguma. Bem, Birdman foi uma lição daquelas que o cara precisa no começo do ano pra quem sabe no final se satisfazer de algo produtivo e relevante que fez. Críticas, assim como no filme, aparecem pra destruir sua moral. Não entendam esse texto como auto ajuda. Não, ele não vai te ajudar em nada. Quem vos escreve é tão Keaton quanto o próprio Keaton, sem nenhum Birdman do lado, okay?
Então nobres leitores sejamos mais Birdman. Sejamos ousados e não tenhamos medo do inesperado. Inesperado pode ser a virtude dessa ignorância suprema que nos assola esses dias. De um beijo de boa noite ao "olá, como vai?" de quem te fez feliz e hoje é menos importante que uma pedra.
(Vamos parar de usar o Keaton como adjetivo para inapto e indeciso)
Espero que vocês que leem esses textos, se prontifiquem a assistir essa bela obra de Alejandro González Iñárritu que me inspirou a escrever essas bobagens para 2015. A virtude inesperada da ignorância, é o que eu mais espero de mim e de todos. Saravá!
sexta-feira, 2 de janeiro de 2015
Interregno
Ano novo. Nada de novo. Eu no mesmo estado. Mas acho que algo mudou. O título do texto diz tudo. Acho que estou em processo universal de interregno. Eu nem sei porque venho fazendo essas reflexões em pleno dia dois do ano. Mas algumas coisas me chamaram a atenção durante a transição do ano novo.
A primeira delas foi que eu estou em outra rede social. Não irei citar. Eu repudiava com todas as forças essa rede social. Só acentua o que eu acho que nós estamos nos tornando: maquinas humanas. Dedos teclando e pessoas com sentimentos líquidos (é, eu venho lendo muito Bauman esses dias). Porém o ápice da minha reflexão foi estar nessa rede social e num fim de conversa com uma amiga eu me despedi, como faria com qualquer pessoa. Ela indagou: "ouxe e é rede fulana é?". Mesmo assim deu o "boa noite". Foi crucial pra eu entender que as pessoas estão perdendo as formalidades que nossos pais nos ensinaram. Que as redes sociais estão nos tratando como maquinas, que podemos desligar e ligar, como se a separação virtual nem fosse separação. Acho que sou antiquado demais pra entender essas coisas, sou muito conservador. Não no sentido reacionário mas no sentido poético, de conservar o que me foi dado. Não quero ser apenas uma C.P.U. que desconecta e conecta com outras. Sou humano e quero conversar sobre Freud e sobre o filme em cartaz. E que quando fomos embora, nos despedimos para lembrarmos que estamos apenas separados momentaneamente. Pode parecer besteira, o que muitos vão denominar. Eu gosto da humanidade, não dessa pseudo-humanização.
A segunda foi que a pessoa a qual eu vinha planejando mil e umas coisas, a qual eu queria que estivesse ao meu lado, me excluiu. Percebam que isso tem tudo a ver com a primeira observação. Como uma pessoa pode ser tão província a ponto de te excluir da vida dela com um clique? Será que as pessoas no futuro serão tão medonhas a ponto de estarem se relacionando apenas, mas não estarão entregues a eles. Meu espírito chora quando penso nessas coisas. Eu gosto das pessoas e tenho certeza que pra um que me odeia tem dez que gostam de mim. Proporções excelentes para um chato e semi ranzinza como eu. Mas daí você decide que aquela pessoa não vale mais a pena e então você simplesmente desaparece "virtualmente". Então, de novo pensamos a "network" e não os afetos, os vínculos necessários para a socialização humana. Eu tô puto mesmo, acho que ninguém nem vai me perguntar nada.
Acho que percebendo os horrores da nossa liquidez social, fiquei triste. Tinha amiguinhos quando não tinha internet, os quais eu brincava e brincava num moto contínuo sem se preocupar se ele tinha um android ou um IOS e umas fotos bacanas no Instagram. Agora, as pessoas se venderam para a personificação da virtualização demasiada e inepta.
O interregno me dá um medo atmosférico. Não quero prever nada, mas acho que o que eu ando fazendo não ta servindo. Mudar de postura seria tão impossível quanto nadar na Perucaba (Eu sendo regionalista, espia!). Ou talvez sim, esse interregno sirva pra eu crescer e achar realmente quem eu sou. Se é que isso também é possível. Assistamos aos capítulos adjacentes.
O interregno me dá um medo atmosférico. Não quero prever nada, mas acho que o que eu ando fazendo não ta servindo. Mudar de postura seria tão impossível quanto nadar na Perucaba (Eu sendo regionalista, espia!). Ou talvez sim, esse interregno sirva pra eu crescer e achar realmente quem eu sou. Se é que isso também é possível. Assistamos aos capítulos adjacentes.
Bom 2015 e que se você me ver na rua, me pare e converse comigo. Aí sim podermos criar vínculos eternos!
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